O governo federal confirmou nesta quarta-feira (10) que o salário mínimo de 2026 será de R$ 1.621. O aumento de R$ 103 em relação ao valor atual (R$ 1.518) impacta diretamente o abono salarial PIS/PASEP 2026, que terá pagamentos variando entre R$ 135,08 e R$ 1.621.
O reajuste de 6,79% passa a valer em janeiro, mas o novo valor só aparece no pagamento de fevereiro. Com essa mudança, diversos benefícios e programas sociais atrelados ao salário mínimo também serão impactados.
O que é o abono salarial PIS/PASEP
O abono salarial PIS/PASEP é um benefício pago anualmente a trabalhadores da iniciativa privada (PIS) e a servidores públicos (PASEP). Para ter direito, o trabalhador precisa ter atuado durante pelo menos 30 dias do ano-base (dois anos antes) e ter recebido até dois salários mínimos por mês.
O PIS é administrado pela Caixa Econômica Federal, enquanto o PASEP fica sob responsabilidade do Banco do Brasil. O valor do benefício é proporcional ao tempo trabalhado no ano-base considerado.
Novos valores do PIS/PASEP 2026
Em 2026, o pagamento do abono deve variar entre R$ 135,08 a R$ 1.621, considerando o novo salário mínimo e de acordo com a quantidade de meses trabalhados.
O cálculo do valor continua condicionado ao piso nacional vigente. Assim, a quantia a ser recebida em 2026 será proporcional ao tempo trabalhado com carteira assinada em 2024:
- Quem trabalhou 12 meses receberá o valor máximo, que deve acompanhar o novo salário mínimo previsto para 2026 (aproximadamente R$ 1.631).
- Para quem trabalhou menos tempo, o valor corresponderá a 1/12 desse teto por mês de atividade formal. Um mês de trabalho rende, por exemplo, R$ 135,91, aumentando progressivamente conforme os meses registrados no período.
Mudanças nas regras do PIS/PASEP 2026
As regras para ter acesso ao benefício também vão mudar a partir do ano que vem. A alteração faz parte do pacote fiscal aprovado pelo Congresso no fim de 2024 e tem como objetivo reduzir os gastos públicos e direcionar o programa aos trabalhadores de menor renda.
Atualmente, pode receber quem ganha até dois salários mínimos por mês. A partir de 2026, esse limite não vai mais acompanhar o aumento do salário mínimo. Ele passará a ser corrigido apenas pela inflação (INPC). Na prática, isso significa que, ano após ano, o benefício ficará restrito a trabalhadores de renda mais baixa.
Requisitos para receber o PIS/PASEP 2026
- Estar inscrito no PIS/PASEP há pelo menos cinco anos
- Ter trabalhado com carteira assinada por no mínimo 30 dias em 2024
- Ter recebido até dois salários mínimos mensais em 2024
- Ter os dados informados corretamente pelo empregador na RAIS ou eSocial
Calendário de pagamento PIS/PASEP 2026
Quem tem direito ao abono do PIS/PASEP deve começar a receber o benefício a partir de 15 de fevereiro de 2026. O calendário ainda será analisado e votado pelo Codefat na próxima semana. Tradicionalmente, os pagamentos seguem o mês de nascimento do trabalhador (PIS) ou o número final da inscrição (PASEP).
Outros benefícios impactados pelo novo salário mínimo
Benefícios do INSS
Os valores pagos pelo INSS passam por reajuste anual corrigido pela inflação e pelo novo salário mínimo. Com o aumento, aposentados e pensionistas passam a ter um valor maior no benefício, o que também amplia a margem para crédito consignado.
Quem recebe o piso do INSS (salário mínimo) passará a receber R$ 1.621 em 2026. Para a maioria dos outros benefícios, o reajuste segue o INPC, que no acumulado de 12 meses até novembro ficou em 4,18%. O valor final será divulgado no início de 2026.
Benefício de Prestação Continuada (BPC)
O BPC é pago a idosos a partir de 65 anos e pessoas com deficiência em situação de extrema pobreza. O valor do benefício passará a ser R$ 1.621 e começará a ser pago no início de fevereiro.
Para ter direito ao BPC, é preciso que a renda per capita seja entre ¼ de salário mínimo e meio salário mínimo. Com o reajuste, os valores passarão a ficar entre R$ 405,25 e R$ 810,50.
Em 2025, foram implementadas regras mais rígidas para acesso ao BPC. O recebimento está condicionado ao cadastramento biométrico e à atualização cadastral a cada dois anos.
Seguro-Desemprego
O seguro-desemprego é a ajuda financeira paga a quem trabalhava com carteira assinada e foi demitido sem justa causa. Em 2025, os trabalhadores que tiveram direito ao benefício receberam entre R$ 1.528 e R$ 2.424,11.
Os novos valores serão estipulados com base no INPC e no último reajuste do salário mínimo. Considerando o que determina a lei, o seguro-desemprego não pode ser inferior ao salário mínimo vigente, que em 2026 será de R$ 1.621.
Trabalho intermitente
O trabalho intermitente é a modalidade que ocorre esporadicamente, em dias alternados ou por algumas horas, sendo remunerado por período trabalhado. Com o aumento para R$ 1.621, os valores de referência ficam assim:
- Valor diário: aproximadamente R$ 54,03
- Valor por hora: aproximadamente R$ 7,37
Cadastro Único (CadÚnico)
O governo utiliza o CadÚnico para identificar potenciais beneficiários de programas sociais como Bolsa Família, BPC e vale-gás. Com a alta no salário mínimo, os valores que permitem a inscrição também sobem:
- Renda mensal de até meio salário mínimo por pessoa: R$ 810,50
- Famílias com renda acima desse valor podem ser cadastradas para programas específicos
Seguro-Defeso
O seguro-defeso é um benefício de um salário mínimo pago para pescadores que exercem atividade exclusiva e de forma artesanal. O valor é concedido nos períodos em que a pesca é proibida para permitir a reprodução da espécie. Em 2026, o valor será de R$ 1.621.
Como foi calculado o novo salário mínimo
O reajuste de 6,79% corresponde à soma de dois índices: a inflação medida pelo INPC em 12 meses até novembro (como prevê a Constituição) e o índice de crescimento real do PIB dos dois anos anteriores. No caso de 2026, vale o PIB de 2024, que cresceu 3,4%.
Em dezembro do ano passado, o governo aprovou uma lei que limita o ganho real do salário mínimo a 2,5%. Assim, o reajuste soma a inflação acumulada até novembro (4,4%, segundo o IBGE) mais 2,5% de aumento real.
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