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Lei Maria da Penha poderá ser estendida a casais homoafetivos masculinos

Entenda o que muda na proteção contra violência doméstica e a quem se aplica a nova proposta.

Giovanna Costa por Giovanna Costa
11 de fevereiro de 2026, 17:44h
em Notícias
Dois homens se beijam segurando crianças nos braços, todos com roupas de arco-íris durante evento de rua

Projeto de Lei amplia garantias e discute justiça inclusiva para diferentes configurações familiares. Imagem: Agência Brasil.

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A Lei Maria da Penha é um importante instrumento de proteção contra a violência doméstica e familiar no Brasil. Reconhecida mundialmente pela sua eficácia, a lei foi criada, principalmente, para amparar mulheres vítimas de diversas formas de violência dentro do ambiente doméstico.

No entanto, uma proposta de ampliação de seu alcance tem chamado a atenção: o Projeto de Lei 891/25 pretende permitir que casais homoafetivos masculinos, transgêneros e travestis também possam recorrer à legislação em situações de vulnerabilidade, principalmente quando há uma relação de subalternidade.

Este movimento representa um passo relevante na luta pelos direitos de grupos historicamente marginalizados e amplia o entendimento sobre o conceito de violência de gênero no Brasil.

O que é o Projeto de Lei 891/25?

O Projeto de Lei 891/25, de autoria do deputado Bacelar (PV-BA), propõe a extensão da Lei Maria da Penha para permitir sua aplicação em casos de violência em casais homoafetivos masculinos, bem como em relações com travestis e mulheres transexuais. O texto define que esta proteção deve ocorrer sempre que fatores contextuais colocarem a vítima em posição de subalternidade na relação afetiva ou familiar.

A justificativa do projeto está enraizada no objetivo de garantir direitos constitucionais e segurança jurídica para grupos sociais vulneráveis.

Segundo Bacelar, a ausência de uma norma clara que regulamente a proteção destas pessoas configura um vácuo legal, reconhecido até mesmo pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o que reforça a necessidade de aprimoramento da lei conforme evoluem os entendimentos sobre família, gênero e violência social.

Jurisprudência e os avanços nos tribunais superiores

O movimento legislativo acompanha precedentes já debatidos nos tribunais superiores. Em análise recente, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) compreendeu que o conceito de vítima mulher, para fins de aplicação da Lei Maria da Penha, independe do sexo biológico.

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Um caso emblemático envolveu a aplicação da norma para proteger uma filha transgênero agredida pelo próprio pai, consolidando o entendimento de que o elemento diferenciador é pertencer ao gênero feminino, e não apenas a condição biológica feminina.

Além disso, o STF, ao analisar o Mandado de Injunção (MI) 7452, reconheceu a existência de uma omissão do Congresso Nacional quanto à proteção expressa de casais homoafetivos masculinos em situação de violência. O tribunal enfatizou que a falta de previsão legal resulta em inconstitucionalidade por omissão, o que reforça a necessidade urgente de atualização da legislação.

Violência de gênero e o recorte da vulnerabilidade

Apesar de existir uma série de normas penais genéricas que criminalizam a violência doméstica, a Lei Maria da Penha prevê medidas protetivas específicas e procedimentos diferenciados que tornam a proteção mais eficaz. Essas medidas incluem afastamento do agressor, restrições de contato, acompanhamento psicológico da vítima e acompanhamento social, por exemplo.

Para o deputado Bacelar, o contexto de subalternidade merece atenção especial nas novas configurações familiares. A proposta busca garantir que essas medidas sejam aplicáveis sempre que um homem cisgênero, homem trans, travesti ou mulher trans esteja em uma posição de vulnerabilidade diante de seu agressor, independentemente da composição de gênero do casal.

Dois homens sorrindo sentados lado a lado em sofá com almofadas coloridas
A proposta busca garantir que essas medidas sejam aplicáveis sempre que um dos parceiros esteja sofrendo agressão. Imagem: Agência Brasil.

Debate social e impacto nos direitos humanos

A iniciativa de modificar o alcance da Lei Maria da Penha reflete mudanças sociais e o reconhecimento da importância do combate à violência em todos os contextos afetivo-familiares. Ampliar a proteção significa, também, dar resposta à diversidade e pluralidade das famílias brasileiras, além de fortalecer o combate à cultura de violência e discriminação que afeta a população LGBTQIAPN+.

Segundo defensores do projeto, esta atualização irá reforçar os princípios da igualdade, dignidade e segurança jurídica, pilares centrais da Constituição Federal. Ao garantir acesso adequado à justiça para todas as pessoas, independentemente de orientação sexual ou identidade de gênero, o país avança no respeito aos direitos humanos e na efetividade das leis de proteção.

Tramitação do projeto e próximos passos

O Projeto de Lei 891/25 tramita em caráter conclusivo e aguarda análise nas comissões de Direitos Humanos, Minorias e Igualdade Racial, além da Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados. Para entrar em vigor, o texto ainda depende de aprovação pelo Senado Federal.

Esse debate legislativo é fundamental para adaptar o ordenamento jurídico brasileiro às novas demandas sociais, reconhecendo que a violência doméstica não se restringe ao modelo heteronormativo nem ao conceito tradicional do núcleo familiar.

Papel da legislação e desafios para implementação

A ampliação da Lei Maria da Penha trará desafios práticos, como a capacitação de profissionais jurídicos e de segurança pública para acolher e atender adequadamente novas vítimas. Também há necessidade de campanhas educativas que promovam a quebra de estigmas e incentivem a sociedade a denunciar casos de violência doméstica de forma ampla.

As discussões sobre o texto mostram a importância de tratar a violência sob a ótica das relações de poder e não somente dos papéis tradicionais de gênero. O reconhecimento das diversas formas de família e do direito à proteção integral são avanços fundamentais para a democracia e para a construção de uma justiça mais sensível e igualitária.

Opinião pública e desafios sociais

A ampliação do alcance da Lei Maria da Penha desperta debates intensos na sociedade. Grupos conservadores frequentemente argumentam sobre a especificidade da legislação para mulheres, enquanto defensores dos direitos humanos e da população LGBTQIAPN+ ressaltam a necessidade de avançar rumo a uma proteção igualitária, sem discriminação.

A discussão revela que ainda há muito a ser feito para superar preconceitos e mitos envolvendo o conceito de violência de gênero, inclusive reconhecendo que a vulnerabilidade pode atingir qualquer pessoa, dependendo do contexto da relação e da dinâmica de poder entre os envolvidos.

Possíveis impactos sociais da mudança na Lei

A perspectiva de estender a Lei Maria da Penha a casais homoafetivos masculinos é vista como promissora por entidades que atuam na defesa dos direitos humanos. Entre os benefícios esperados estão o aumento da sensação de segurança para pessoas LGBTQIAPN+ e o fortalecimento do papel do Estado na mediação e prevenção da violência doméstica.

A aplicação das medidas protetivas a todos que necessitam, independentemente de gênero ou identidade, poderá também contribuir para um maior acesso à justiça e o aprimoramento dos mecanismos de proteção. Assim, amplia-se a rede de apoio institucional e social, promovendo políticas públicas mais inclusivas e efetivas.

Gostou de saber dessa notícia? Continue acompanhando o Assistencialismo Notícias para mais novidades como essa.

Perguntas Frequentes

  • O que muda com a extensão da Lei Maria da Penha para casais homoafetivos masculinos? A mudança garante que vítimas em relações homoafetivas masculinas possam acessar medidas protetivas, caso haja contexto de subalternidade ou vulnerabilidade.
  • Casais heterossexuais continuam sendo contemplados pela lei? A legislação original permanece válida para mulheres em relações heterossexuais, sendo apenas ampliada para outros grupos vulneráveis.
  • Como funcionam as medidas protetivas da Lei Maria da Penha? As medidas incluem afastamento do agressor, restrição de contato, proteção judicial, entre outras, visando a segurança da vítima.
  • Por que é importante proteger casais homoafetivos masculinos? O reconhecimento é essencial para combater todas as formas de violência doméstica e assegurar direitos iguais a todos.
  • A lei já está em vigor para esses casos? Não. O projeto encontra-se em tramitação e precisa ser aprovado pelas comissões e pelo Senado.
Tags: direitos humanoslegislação brasileiralei maria da penharelações homoafetivasviolência doméstica
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Giovanna Costa

Giovanna Costa

Graduanda em Letras pela Universidade do Estado da Bahia(UNEB). Redatora grupo Sena Online

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