O Sistema Único de Saúde (SUS) passou a oferecer tratamento gratuito para pessoas com vício em jogos e apostas, incluindo as chamadas “bets”. O serviço foi anunciado pelo Ministério da Saúde e já está disponível para adultos que enfrentam problemas relacionados a esse tipo de comportamento. Mas como funciona esse tratamento e quem pode solicitar ajuda?
A iniciativa faz parte de uma estratégia nacional de saúde mental voltada ao enfrentamento do crescimento das apostas online. O novo serviço oferece atendimento psicológico por meio de teleconsulta, permitindo que pacientes recebam acompanhamento sem sair de casa.
A seguir, veja como acessar o atendimento, quem pode participar e como funciona o acompanhamento.
SUS passa a tratar vício em apostas como questão de saúde
O avanço das plataformas de apostas esportivas e jogos online nos últimos anos levou autoridades de saúde a tratar o problema como um desafio crescente de saúde pública. O comportamento compulsivo relacionado a apostas pode gerar consequências financeiras, familiares e psicológicas, sendo conhecido em alguns casos como ludopatia, ou jogo patológico.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde lançou um serviço específico para oferecer acompanhamento especializado dentro da rede pública de saúde.
O atendimento é direcionado principalmente para pessoas com compulsão por jogos ou apostas, mas também pode incluir familiares e integrantes da rede de apoio, que são muitas vezes os primeiros a perceber sinais de dependência.
Como funciona o tratamento gratuito no SUS
O tratamento é realizado por meio de teleatendimento em saúde mental. As consultas são feitas por vídeo e conduzidas por profissionais especializados.
Cada sessão tem duração média de cerca de 45 minutos. O acompanhamento pode incluir até 13 encontros, dependendo da avaliação clínica e da necessidade de cada paciente.
O processo de cuidado envolve etapas como:
- Avaliação inicial do comportamento de jogo ou aposta
- Acompanhamento psicológico
- Orientação para controle de impulsos
- Apoio para reorganização financeira e familiar
Em alguns casos, familiares também podem participar das sessões para ajudar no processo de recuperação.
Quem pode receber atendimento
O serviço é voltado para pessoas com 18 anos ou mais, indivíduos com comportamento compulsivo relacionado a jogos ou apostas e familiares ou pessoas próximas que desejam orientação.
O atendimento é totalmente gratuito e segue regras de confidencialidade, garantindo a privacidade dos dados do paciente.
Como identificar os sinais de alerta do vício em apostas
Entre os principais sinais que podem indicar a presença do transtorno estão:
- Dificuldade em controlar o impulso de apostar, mesmo diante de perdas financeiras.
- Irritabilidade, ansiedade ou angústia quando não realiza apostas.
- Negligência de compromissos familiares, sociais ou profissionais.
- Tentativas frustradas de parar ou reduzir as apostas por conta própria.
- Mentiras para esconder a frequência ou a quantidade das apostas.

Atendimento pode ser feito online
O acesso ao serviço é realizado pelo aplicativo Meu SUS Digital, disponível gratuitamente para celulares Android e iOS.
O primeiro passo é entrar no aplicativo com a conta Gov.br. Em seguida, o usuário deve procurar a opção relacionada a problemas com jogos de apostas e iniciar o atendimento virtual.
A partir desse contato inicial, o sistema direciona o paciente para orientação e acompanhamento especializado.
A expectativa inicial do Ministério da Saúde é realizar cerca de 600 atendimentos por mês, com possibilidade de ampliação conforme a demanda da população.
Por que o governo criou esse serviço?
Segundo o Ministério da Saúde, a procura por tratamento presencial para problemas relacionados a apostas ainda é baixa. Muitos pacientes evitam buscar ajuda por receio de exposição ou por não reconhecerem a gravidade do problema.
Dados do governo indicam que, em 2025, o SUS registrou pouco mais de 6 mil atendimentos presenciais ligados a jogos e apostas.
Combate ao vício em apostas envolve várias ações
O teleatendimento faz parte de um conjunto de políticas públicas voltadas ao enfrentamento do problema das apostas no país.
Além do tratamento, o governo também trabalha em ações de prevenção, orientação à população e produção de materiais técnicos para profissionais de saúde.
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